Etarã, Ẽg Mré Ke: Parentes – Histórias Guarani e Kaingang como Inspiração

No dia 10 de maio abrimos a exposição Etarã, Ẽg Mré Ke: Parentes – Histórias Guarani e Kaingang como Inspiração, no Museu Municipal de Jahu, em Jaú – SP. O projeto é resultado de um trabalho de conclusão de curso em Design, na Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC), na Unesp de Bauru.

Inicialmente pensado como a criação de uma peça de teatro baseada no livro guarani A vida do sol na terra, de Verá Kanguá e Papa Mirĩ Poty, as ilustrações de Parentes postadas nas redes sociais chamaram a atenção de Fabio Grossi dos Santos, diretor do Museu, que nos convidou para elaborar uma exposição das imagens.

No intuito de falar do território onde vivemos, o projeto então mudou para abarcar não só a cultura Guarani, mas também a Kaingang, extremamente importante para a formação de Jaú, e que ainda assim sofre um grande apagamento histórico, não só na cidade, como em todo o estado de São Paulo. Assim, o que seria uma peça de teatro acabou se transformando numa série de ilustrações inspiradas nessas duas culturas, com o objetivo de convidar os espectadores a refletir sobre os antepassados de sua terra.

Todo o desenvolvimento partiu de pesquisas de antropólogos e arqueólogos, especialmente no que se trata da cultura material desses dois povos e em suas principais características sociais e cosmológicas.

Após quase dois anos de processo entre leitura, análise e desenvolvimento das ilustrações, o projeto resultou em oito painéis ilustrativos – quatro sobre cada um dos povos –, além de desenhos esquemáticos sobre a elaboração e o uso de ferramentas paleoindígenas, presentes no acervo do museu e integrantes como algumas das peças centrais da mostra.

Afora as ilustrações sobre os povos, também foram elaborados dois painéis sobre as árvores linguísticas nas quais se encontram os idiomas Guarani e Kaingang, numa reconstrução de uma mostra prévia na instituição.

O projeto expográfico foi organizado de forma a usar o equipamento e o espaço disponíveis especificamente no Museu de Jahu, e todas as imagens foram finalizadas vetorialmente, para aplicação por adesivagem, barateando os custos de transporte e criando a possibilidade de itinerância à exposição.

Etarã significa “parente” em guarani, enquanto Ẽg Mré Ke pode ser traduzido como “aqueles que são próximos”, em kaingang. Ambos estão lado a lado com a palavra em português, para mostrar a importância equivalente desses três povos para a formação da região. “Parente” é um termo usado comumente por indígenas para se referir uns aos outros: ainda que possam ser de povos diferentes, a opressão que sofrem dos brancos é a mesma, o que os torna de certa forma aparentados. Uma das ideias da exposição é mostrar ao público que a distância pode ser encurtada, e que todos nós possamos ser uma coisa só: Parentes.

Além dos painéis ilustrativos sobre as culturas, feitos pelo Bruno, a exposição conta mais seis ilustrações de convidados, amigos do curso de Design da Unesp: Daniel Batista, Leila Rangelda (ambos também do Coletivo Luminar), Daniela Zagnoli, Gustavo Cerino Paulino, Natália Schiavon e Yan Von Fritzen. Essas ilustrações representam mitos dos Guarani e dos Kaingang, e são acompanhadas das histórias, ocupando o centro do espaço expositivo, em textos adaptados de Leonardo Alvarez e Fábio Grossi dos Santos.

No dia da abertura, além da nossa fala sobre a criação do projeto, na palestra O Design como comunicação de cultura, contamos com a presença da Profa. Dra. Juracilda Veiga, Pós-Doutora em Demografia (NEPO/Unicamp) e antropóloga da FUNAI, que ministrou a palestra Guaianás, Coroados, Kaingang: o povo indígena do Oeste Paulista; e do Prof. Dr. Wilmar da Rocha D’Angelis, Doutor em Linguística e Livre-docente pela Unicamp, com a palestra Jaú: cidade, rio e peixe, na qual lançou luz sobre as possíveis origens do nome da cidade, motivo de debate local há tempos.

Como complemento à exposição, o Museu convidou a Yalorixá Adelaide Lúcia da Silva para sessões de contação de história sobre a África e suas relações com o Brasil, bem como um dos ilustradores da mostra, Daniel Batista, para ministrar a oficina O Be-a-bá da publicação autoral: cultura indígena nos quadrinhos.

A exposição vai de 10 de maio a 31 de julho de 2017, podendo ser visitada gratuitamente das 9h às 11h30 e das 13h às 17h. Aos sábados e domingos, o museu funciona das 13h às 17h. Escolas e grupos podem fazer agendamento. O Museu Municipal de Jahu fica na Av. João Ferraz Neto, 201, no centro da cidade. Mais informações pelo telefone (14) 3626-8569.


Para saber mais sobre os ilustradores da exposição:

Bruno Müller: be.net/brunomuller
Daniel Batista: danielbatista.com.br | fb.com/betoeabahq
Daniela Zagnoli: fb.com/danielazagnolidesign | be.net/Daniela_Zagnoli | @zagnolidaniela
Gustavo Cerino Paulino: be.net/gustavopaulino
Leila Rangelda: almophada.tumblr.com | fb.com/Rangelda
Natália Schiavon: fb.com/nataliaschiii
Yan Von Fritzen: @thefritzhaus

Você pode verificar em detalhes todo o processo de criação da exposição acessando o relatório de desenvolvimento do projeto, disponível abaixo.

 

 

Câmeras fotográficas pinhole

Foi realizada na semana dos dias 04 ao 07 de outubro a Oficina de Câmeras Pinhole, com as crianças participantes do Programa Curumim, no Sesc Bertioga.

Durante a atividade, que foi dividida em dois módulos para cada turma, as crianças puderam conhecer um pouco mais do processo fotográfico com filme e cada uma confeccionou, com nosso auxílio, sua própria câmera fotográfica usando a técnica pinhole.

As câmeras pinhole consistem em caixas completamente lacradas, onde o filme ou papel fotográfico está posicionado no interior e a luz entra através de um furo da espessura de uma agulha (daí o nome) gravando a fotografia no material sensível escolhido. As confeccionadas na oficina utilizaram filme colorido de 36 exposições da Kodak. Por não possuírem lentes, a técnica foi considerada obsoleta no início da fotografia, mas ressurge ocasionalmente como tendência em fotografia artística.

dsc_0770_2

Durante as explicações iniciais sobre o que seria desenvolvido nos encontros, foi perceptível o espanto das crianças, que duvidaram ser possível criar uma câmera sem lentes, flash, zoom, pilhas e cartão de memória. Mas conforme elas iam avançando no passo a passo, seus rostos se iluminavam com a compreensão do funcionamento da mesma, e algumas delas mais empolgadas, terminaram primeiro e se tornaram assistentes na atividade, tirando dúvidas e ajudando os colegas.

As câmeras construídas na oficina serão utilizadas em atividades planejadas pelos instrutores do programa, junto aos programadores da unidade de Bertioga, em passeios fotográficos. Depois, as fotografias das crianças serão reveladas e selecionadas. Algumas serão enviadas para o concurso fotográfico Revela Bertioga, que está em sua 5ª edição e traz a novidade do Revelinha, que irá trabalhar a poética da fotografia através dos olhos das crianças. Outras irão para uma exposição realizada pelos próprios Curumins, em uma atividade futura que envolverá pais e filhos.

Asibikaashi e os Apanhadores de Sonhos

No mês de julho de 2016, fomos convidados pela equipe do Jardim Botânico Municipal de Bauru a ministrar uma oficina para as duas turmas das crianças do curso de férias, nos dias 13 e 20. Discutindo as possibilidades e os recursos disponíveis, percebemos que o Jardim teria os materiais ideais para a construção de apanhadores de sonhos, objetos muito populares como decoração, mas que têm grande importância e uma história rica remetendo aos povos originários da América do Norte.

Objetos tradicionais do povo Ojibwe, os apanhadores — também chamados de filtros ou caçadores de sonhos — são ligados à história de Asibikaashi, a mulher-aranha, e fazem referência à dispersão dos indígenas por toda a extensão de onde hoje são os Estados Unidos. Os Ojibwe eram um povo que fazia trocas com diversas outras nações nativas do Norte, portanto muito da história de Asibikaashi é entremeada por elementos de outros povos.

É dito que Asibikaashi, também chamada de Avó Aranha, Primeira-Mulher ou Na’ashjéii Asdzáá pelos Navajo, era um espírito que sempre ajudava a humanidade. Em certa feita, ela ajudou Nanabozho, uma divindade primordial, a recuperar o Sol, que havia desaparecido. Sabe-se que Asibikaashi tece a sua teia todas as noites para que, no fim da madrugada, ela consiga segurar os raios do Sol e ajudá-lo a se levantar.

Sendo um espírito que se preocupava com a vida das pessoas, diz-se que Asibikaashi andava por todas as aldeias a fim de passar pelos berços das crianças, para ver como elas estavam de saúde, e trazer a eles a luz do sol. Como os povos da terra se espalharam por toda a América do Norte, a Avó Aranha não conseguia acompanhá-los por toda sua extensão, então as mulheres, irmãs e avós aprenderam a fazer a sua trama, tecendo teias encantadas para proteger os bebês.

Essa trama é o chamado asabikeshiinh, a “coisa-aranha”, chamada popularmente de apanhador de sonhos. É conhecida por esse nome porque, quando pendurada sobre o berço dos infantes, segura em seus fios todos os pesadelos, e pelo furo em seu centro apenas os bons sonhos são capazes de se aproximar, descendo pelos amuletos nele presos e alcançando a mente dos bebês. Quando amanhece, a luz do sol toca na teia e destrói os pesadelos que lá ficaram presos durante a noite.

post-DSC_0693

Como objeto tradicional dos Ojibwe – e hoje de diversos outros povos nativos da América do Norte – os apanhadores de sonhos são feitos com varas de salgueiro, enroladas com couro e dispostas num círculo, no qual a teia é trançada com tripas ou fibras vegetais, e o conjunto é então adornado com contas e sementes. Além disso, é hábito colocar penas de águia ou coruja, para aqueles feitos para meninos ou meninas, respectivamente. Acredita-se que a águia simbolize a coragem, que para eles é um atributo masculino, enquanto a coruja representa a sabedoria, que pertence às mulheres.

Na nossa atividade no Jardim Botânico, contamos a história de Asibikaashi para as crianças, e adaptamos a estrutura aos materiais disponíveis nos entornos: cipós para a estrutura, folhas e sementes para os adornos, recolhidos no próprio Jardim, além de penas de pavão coletadas do Zoológico Municipal de Bauru. A equipe do Jardim apresentou os aspectos botânicos de todos os elementos naturais que estavam sendo utilizados, e assim tivemos duas tardes de atividade unindo biologia, artesanato e contação de histórias.

Grupo do curso de férias, na oficina do dia 13/07. Foto: Vinícius Sementili Cardoso.

Você pode saber mais sobre o Jardim Botânico Municipal de Bauru pelo site oficial ou seguindo a página do Facebook. Para a realização dessa atividade, contamos com o apoio da Oficina Desmanche.


DEARBORN, L. Origin of the Dream Catcher. Disponível em <http://www.nativetech.org/dreamcat/dreamcat.html>. Acesso em 11 Jul 2016.
NATIVE American Dream Catchers. Disponível em <http://www.native-languages.org/dreamcatchers.htm>. Acesso em 11 Jul 2016.
SPIDER Woman, the Navajo Goddess. Disponível em <http://www.native-languages.org/spider-woman.htm>. Acesso em 11 Jul 2016.
WELKER, Glenn. Spider Rock. Disponível em <http://www.indigenouspeople.net/spiderro.htm>. Acesso em 11 Jul 2016.

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Cadernos de receitas: Registros de memórias

Para que serve um caderno? Por que escrevemos receitas?

Foi com essas perguntas, singelas porém complexas, que começamos a oficina Cadernos de Receitas: Registros de Memórias, elaborada em consonância ao programa de Turismo Social do Sesc. Na noite de atividades que se seguiu, os participantes discutiram a importância do registro para a socialização e a transmissão de conhecimento de geração em geração, por meio de cadernos de receita.


Mais do que uma atividade de encadernação, a conversa tocou em aspectos importantes do fazer manual: a noção de pessoalidade, da criação de peças únicas e cheias de significado, tanto para quem as constrói tanto para quem as recebe. Propomos a construção de suportes com a finalidade de escrever receitas e anotações, não apenas para fins culinários – o que geralmente se pensa de um caderno de receitas – mas também como manuais de vivência e sensibilização.


Os participantes dividiram histórias sobre cadernos antigos, falando das letrinhas miúdas deixadas por mãos trêmulas nas bordas das páginas, dos rabiscos que sugeriam uma ou outra mudança no preparo de um prato, comentários e até mesmo lembretes para outras coisas que nada tinham a ver com o que estava ali escrito, mas que denunciavam o aspecto histórico e afetivo de um caderno de receitas, que muitas vezes passa por gerações da mesma família, e marca cada uma delas de uma maneira diferente.


Ao final da noite cada um dos participantes, que nunca havia feito encadernação a partir do zero – costura, lombada, capa – saiu com seu próprio exemplar, e levou consigo mais histórias e memórias para serem registradas – além da receita de como se fazer um caderno.

Labsol & Coroa Imperial: Tantos Carnavais

ExposiçãoNeste fevereiro nós, do Coletivo Luminar, em parceria com os alunos do Labsol e com a comunidade da Escola de Samba Coroa Imperial, organizamos a exposição Labsol & Coroa Imperial: Tantos Carnavais.

O Labsol, Laboratório de Design Solidário, é um projeto de extensão universitária vinculado ao Departamento de Design da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação, na Unesp de Bauru. Nele, os alunos tem como base três pilares de trabalho: sustentabilidade, ecodesign e economia solidária. Por meios destes, cooperativas e grupos de artesãos procuram o Labsol, e este os assessora do ponto de vista do design, visando melhorias nos meios de fabricação com reaproveitamento de recursos, redução de resíduos, pesquisas de materiais  métodos que otimizem e valorizem sua produção.

montagem da exposição

Montagem da exposição, no Sesc Bauru

O projeto apoia os grupos atendidos, sugerindo novos caminhos e métodos de trabalho, estimulando e valorizando a participação dos próprios artesãos, que são incentivados a tomar suas próprias decisões quanto seus trabalhos, mediados pelas metodologias estudadas pelos alunos durante a graduação.

Quase tudo pronto

Quase tudo pronto.

Um dos grupos atendidos pelo Laboratório, no período de 2013 a 2016, é o Grêmio Recreativo Escola de Samba Coroa Imperial da Grande Cidade, uma comunidade do Núcleo Habitacional Presidente Ernesto Geisel, na periferia de Bauru. Nesta parceria, o Labsol tem como principal objetivo o de reutilizar materiais de carnavais passados, como peças de carros alegóricos, tecidos de fantasias de alas e destaques, pedrarias e demais aviamentos, de maneira que esses possam ser reincorporados nos desfiles dos anos seguintes, diminuindo o custo de produção das peças e possibilitando a melhoria da performance da escola no sambódromo.

Além do reaproveitamento de materiais, os alunos trabalham junto à Coroa Imperial integralmente, nas pesquisas e discussões para o desenvolvimento das temáticas, nas técnicas de organização e produção, nos textos e imagens de divulgação e no design de todos os elementos que vão para a avenida.

Para realizarmos a mostra, nós do Coletivo Luminar selecionamos algumas fantasias piloto de ala e destaques que melhor se adequariam ao espaço da exposição, realizamos os reparos necessários seguindo os ideais de sustentabilidade do Labsol, selecionamos fotos, esboços e anotações do processo de desenvolvimento dos figurinos de ala, destaques e carros alegóricos, de forma a apresentar ao público um pouco do extenso trabalho realizado pelos alunos do projeto durante esses anos.

A exposição acontece no Sesc Bauru no período de 02 a 26 de fevereiro, no térreo, ao lado da Loja Sesc. A entrada é franca.


Laboratório de Design Solidário – Gestão 2015-2016: Cláudio Roberto y Goya (professor orientador), Akira Iamaguti, Bruno Müller, Daniel Galhardi, Guilherme Lourenção, Juliana Soares, Karina DeLuca, Kelvin Mendonça, Laís Marinho, Leonardo Alvarez, Marcela Rezende, Marlon Motta, Michael Garcia, Nicolline Muratti, Raul Molina, Rodrigo Rocha, Tatiane Amano e Vinícius Machado.

Coroa Imperial – Presidente: Avelino de Souza. Diretora de Carnaval: Olívia Arantes de Souza. Carnavalesco: Cláudio Roberto y Goya. Carnavalesca assistente: Michele Oliveira.


 

Por dentro dos Jogos de Interpretação

91g6rvA8KcL._SL1500_

O Coletivo Luminar começou 2016 com a Oficina “Por Dentro dos Jogos de Interpretação”, juntamente com Caio Geroto, jogador e criador de RPG independente, no Espaço de Tecnologia e Artes do Sesc – Bauru.
A atividade aconteceu aos sábados (16/01-23/01-30/01) e teve um total de 12 horas.

Foram realizadas palestras sobre a origem dos jogos de interpretação, sua evolução e os princípios usados na criação de um sistema de regras para estes jogos de acordo com o foco e objetivo das narrativas, sejam elas mais focadas na história, no drama, ou na simulação realista de outra realidade.

Os Jogos de Interpretação de Papéis (ou RPG – Roleplaying Games) consistem em jogos nos quais os participantes interpretam personagens num cenário fictício que varia da fantasia medieval ao nosso mundo reimaginado com toques de terror ou mesmo futurista. No teatro, os jogos de interpretação são usados como prática para que os profissionais exercitem os diferentes aspectos de diferentes personagens, os RPGs, no entanto, surgem como jogos colaborativos onde não há vencedores nem perdedores e o objetivo final é a construção coletiva de uma narrativa dentro de um sistema de regras onde as ações decisivas são resolvidas com um elemento que permita decisão aleatória como dados ou cartas de baralho.

15 - Dungeons and Dragons

Entre as atividades houve também a vivência de dois sistemas diferentes de RPG, tanto no cenário quanto no sistema de regras, para que os participantes pudessem observar mais ativamente as características de cada um.
No último dia da oficina os participantes desenvolveram em conjunto com os oficineiros um sistema básico de RPG usando os princípios assimilados durante as oficinas e vivências: foco da narrativa, sistema de criação de personagens, organização de habilidades ou perícias, entre outros.

Puderam observar de perto as complexidades, obstáculos e possibilidades do processo de criação de um sistema de regras de jogo de interpretação e compartilhar informações e experiências relacionadas a eles, repassando estas mesmas observacões para os oficineiros, evidenciando um retorno muito positivo para nós do Coletivo.

Atividades para Terceira Idade

Realizada entre novembro e dezembro, essa série de atividades contou com 3 minicursos de artesanato para o grupo de Trabalho Social com Idosos do Sesc Bauru. Foram atendidas aproximadamente 70 pessoas, divididas em 3 turmas, durante os 18 dias de atividade.

O primeiro foi a de Moldes de Silicone. Cada participante modelou a plastilina em uma forma com o objetivo de criar uma vela ou sabonete, temas das oficinas seguintes.

IMG_20151117_152223440

 

O segundo minicurso foi o de velas artesanais. Foram utilizados os moldes de silicones obtidos na atividade anterior, bem como outros moldes, como copos de vidro e fôrmas de alumínio. Cada participante levou para casa uma vela perfumada de sua própria confecção.

A terceira e última atividade ensinou os participantes a criarem seus próprios sabonetes glicerinados. Além de terem diversos moldes, corantes e essências a disposição, também aprenderam a montar e decorar caixinhas de presentes, feitas em papel cartão e pintadas com esponja e estênceis diversos.

sabonete

Todos disseram terem ficado bastante satisfeitos com os resultados, e como os materiais necessários são baratos e fáceis de encontrar, é possível continuar a criar em casa.

caixinhas

Interdesigners 2015

O Interdesigners é um evento anual, iniciado em 1991 na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), câmpus de Bauru, com a finalidade de reunir estudantes, profissionais e docentes da área do Design para promover vivências, oficinas, palestras e demais atividades relacionadas.

O encontro é totalmente organizado por alunos e atrai estudantes e profissionais de todo o Brasil, que vêm a Bauru para participar dos vários dias de evento, seja como encontristas, oficineiros, palestrantes ou participantes nas mesas-redondas.

Para a edição de 2015, fomos convidados pela organização para realizar duas oficinas e ministrar uma palestra. Todas as atividades foram bem recebidas pelo público, que consistia de alunos de todos os anos do curso de Design da Unesp, além de participantes de outras faculdades.

As duas oficinas do sábado de manhã foram bastante diversas: uma de cartografia e outra de moldes de silicone. À tarde, tivemos uma palestra (que era mais um bate-papo) sobre sincretismo religioso e mitologia.

Cartografia Fantástica

Nesta oficina, os participantes receberam feijão, arroz, papel e lápis para criarem o mapa de um mundo de fantasia. Após um bate-papo sobre pra que servem os mapas na literatura, como são feitos e como são tratados, cada um dos encontristas pôde elaborar seu próprio mapa, baseado em um sistema de geração de linhas quase aleatório, graças aos grãos jogados no papel. Além dos continentes, os participantes tiveram noções básicas de como se criar rios, montanhas, florestas e outros elementos geográficos para incrementar suas criações.

cartografia (5)

cartografia (3)

cartografia (4)

Moldelícia

Ao mesmo tempo que acontecia a oficina de cartografia, logo ao lado rolava a de moldes de silicone. Nela, os participantes elaboraram pequenas esculturas de plastilina para aprenderem o processo de moldagem em silicone e desmoldagem em resina, por meio de técnicas básicas nas quais foram apresentados às vantagens e desvantagens da técnica, e em como ela pode ser utilizada, principalmente, para a confecção de protótipos e produtos da faculdade.

12240818_910077362415444_3557919718793403607_o

moldelicia (4)

moldelicia (3)

moldelicia (1)

Macumba ou Boacumba?

Quase no final do evento, tivemos um ótimo bate-papo sobre mitologia, religião e sincretismo, e como isso tudo pode influenciar nas nossas vidas, especialmente do ponto de vista de estudantes de design, já que é uma profissão que envolve comunicar ideias por meio de produtos. Na palestra falamos sobre mitos de origem, um pouco de religião comparada e bastante sobre as religiões afrobrasileiras e o seu papel na nossa sociedade.

macumba (3)

macumba (2)

macumba (1)

O evento é muito interessante e as atividades, ainda que organizadas por e para estudantes de Design, são abertas ao público geral todos os anos. Vale a pena conferir!